Fortaleza de São João, foto: fortalezas.org

Fortaleza De São João : o berço da cidade do Rio de Janeiro

A  Fortaleza de São João, localizada na Urca, é o berço da cidade do Rio de Janeiro

A região onde se estabeleceu esta cidade foi revelada ao mundo quase ao mesmo tempo que a avistada por Pedro Álvares Cabral, pois já no ano seguinte ao seu feito era enviada uma expedição exploradora para melhor conhecer a nova terra pertencente a Portugal.

gaspar de lemos

Há divergências sobre qual foi o primeiro explorador a chegar ao Rio, mas o consenso é que foi Gaspar de Lemos, em 1º de janeiro de 1502, denominando a baía que encontraram, mas não exploraram, de Rio de Janeiro.

E vem a história do nome da nossa cidade, o termo “rio” origina-se deles usarem “rio” ou “barra” para designarem esse tipo de acidente geográfico. Com é o nome da fortaleza, Fortaleza de São João da Barra, e do outro lado da baía, Fortaleza de Santa Cruz da Barra. Já o termo “janeiro” se refere ao mês em que chegaram aqui.

Com o passar do tempo, outras expedições foram surgindo, uma delas foi a de Gonçalo Coelho, que em 1503 construiu nas proximidades da atual Praia de Flamengo uma casa de pedra junto à foz do rio, por isso chamado desde então pelos indígenas de Carioca, que significa casa do branco. Originando o gentílico carioca.

Os indígenas que viviam na região da guanabarina, naqueles tempos primitivos, eram os tamoios, da nação tupi, que dominava o literal brasileiro. Tamoios, na língua que falavam, o tupi, significava “os ancestrais”. Dedicavam-se à caça e pesca, plantavam inhame e alguns outros vegetais.

Em 1531 chegou aqui a expedição colonizadora de Martim Afonso de Sousa, com 400 homens, montando oficina para concerto de embarcações e edificando casa junto à foz do rio Comprido, lugar depois chamado de porto Martim Afonso, onde hoje é o Canal do Mangue, próximo a Cidade Nova.

Quando em 1534 o Brasil foi dividido em Capitanias Hereditárias, o Rio foi incluído na de São Vicente, doada a Martim Afonso de Sousa, que não cuidou da colonização e o território ficou abandonado até a criação do governo-geral em 1549, e foi nesse espaço de tempo que muitos franceses começaram a se instalar na Baía.

tomé de sousa

Tomé de Sousa, o primeiro governador, visitou o Rio em companhia do padre Manoel da Nóbrega, pedindo então que o rei mandasse pessoas “honradas e boas”, pedido que não foi aceito.Foi no governo de Duarte da Costasucesso de Tomé de Sousa, que os franceses resolveram de vez se apoderar do Rio. Lembrando que eles nunca concordaram com o Tratado de Tordesilhas, o rei de França, Francisco I, dizia: O sol brilha para todos e desconheço a cláusula do testamento de Adão que dividiu o mundo entre portugueses e espanhóis.

Forte da Lage, foto: Mariana Siqueira Reis
Forte da Lage, foto: Marianna Siqueira Reis

A expedição comandada por Nicolau Durand de Villegagnon, almirante francês, que desembarcou em 1555 no Forte da Lage com refugiados protestantes e calvinistas, que os franceses chamavam de Ratier, por se assemelhar à um rato. Não conseguiram se firmar na ilhota e seguiram para a ilha Serigipe, hoje conhecida como Villegagnon. Lá construíram um forte chamado Coligny.

Formaram aliança com os tamoios. Villegagnon teve problemas com seus companheiros, regressou à frança e Bois-le Comte assumiu seu lugar.Só foram expulsos quando o terceiro governador geral, Mem de Sá, cumprindo ordem de expulsar os franceses chegou ao Rio em 1560. O forte Coligny foi destruído, muitos franceses correram para dentro da mata e outros fugiram em seus navios. Mem de Sá, logo após, retornou à Bahia, e assim, os franceses se reuniram novamente. Principalmente no Uruçumirim, outeiro da Glória, e no Paranapuã, atual Ilha do Governador.Padre Anchieta

Quando se soube que os franceses estavam instalados novamente no Rio, Estácio de Sá foi encarregado de expulsá-los de forma definitiva. Desembarcou aqui em 1565, acompanhado de seis caravelas, e muito mais reforços conseguidos graças a Anchieta e Nóbrega. Chegou no último dia de fevereiro, desembarcou aqui, na várzea entre o Morro Cara de Cão e penhascos da Urca, e no dia seguinte, iniciou a fundação da cidade que denominou de São Sebastião do Rio de Janeiro, em homenagem ao novo rei de Portugal, Dom Sebastião. Estavam no local perfeito, pois os franceses estavam no interior da baía, e os portugueses em sua entrada, controlando quem entrava e saia.

Anchieta relata: logo ao dia seguinte que foi o último dia de fevereiro, começaram a roçar em terra com grande fervor e cortar madeira para a cerca, sem querer saber dos tamoios e dos franceses.

Para Estácio de Sá, a cidade estava fundada. Mas não era o local apropriado para se construir uma cidade, resolveu ele então, subir o morro, pois teria uma visão ampla da baía e do mar, porém, no local não havia água potável, tiveram que cavar um enorme poço para resolver o problema. E então, começaram os assentamentos da cidade.

Ficou conhecida como Cidade Velha, havia uma igreja em honra à São Sebastião, e os fortins eram pequenos embriões. O primeiro fortificação construída foi o de São Martinho.

Praça da Fundação, foto: Viviane Santos
Praça da Fundação, foto: Viviane Santos

A Praça da Fundação da cidade, centrada em torno do marco da fundação, a praça foi projetada com motivos geométricos, desenhando no piso, em pedra portuguesa e jardim, uma cruz de Malta – que juntamente com o brasão de Portugal simbolizavam a dominação portuguesa na cidade. A obra foi patrocinada pelo Clube de Regatas Vasco da Gama.

A cruz de Malta poderá ser observada de cima, já que o local é ao lado do Pão de Açúcar e faz parte da rota da ponte aérea Rio-São Paulo. ¹ As expedições marítimas do século XV ocorreram após o comércio com as Índias ser monopolizado pelos turcos que haviam tomado Constantinopla e Alexandria. Fizeram um acordo com as cidades italianas, e desde então, a distribuição de especiarias era coordenada pelos italianos. A única saída dos outros países que agora pagavam muito mais caro nas mercadorias, era traçarem outra rota. Portugal teve vantagens por ter saída para o Oceano Atlântico.

A Morte de Estácio de Sá, Antonio Parreiras
A Morte de Estácio de Sá, Antonio Parreiras

Ao  20 de janeiro de 1567, os portugueses estavam prontos para atacar os franceses, em seu arraial na Glória. O número maior era dos índios tamoios, enquanto os portugueses eram ajudados pelos temiminós, inimigos dos tamoios. Essa batalha ficou conhecida como a Batalha do Uruçumirim, onde Estácio ficou ferido no olho por uma flecha envenenada e veio a falecer um mês depois. A participação de Araribóia, chefe dos temiminós, deve ser lembrada, o índio ajudou Mem de Sá na destruição da ilha de Paranapuã, hoje Ilha do Governador, recebeu o reconhecimento da Coroa e ganhou uma sesmaria que correspondia a cidade de Niterói, sendo o índio, fundador da cidade. Converteu-se ao cristianismo e adotou o nome de Martim Afonso de Sousa, em homenagem ao homônimo navegador português.

Com a derrota dos franceses, os portugueses se mudaram para o Morro do Castelo, que de inicio, ficou conhecido como Morro do Descanso, que infelizmente, foi colocado à baixo no século XX. Hoje é a Esplanada do Castelo.

Portão Fortaleza de São João, foto: Marianna Siqueira Reis
Portão Fortaleza de São João, foto: Marianna Siqueira Reis

A Fortaleza de São João talvez seja a única no país que é verdadeiramente uma fortaleza, pois segundo a concepção militar, tratava-se de um conjunto de baterias, instaladas em construções independentes, largamente intervaladas. No caso de São João, porém, o conjunto é formado por fortes independentes: São José (1578), São Teodósio (1572), São Martinho (1565) e São Diogo (1618), posteriormente reforçados pelas baterias Mallet e Marques Porto (1902). A razão dessa complexidade de construção é compreensível. Situada no local da fundação da Cidade do Rio de Janeiro, apresentava três frentes de atuação: a Praia de Fora, a Praia do Porto e a entrada da Baía da Guanabara, o que dificultava sobremaneira a organização da posição defensiva. ²

No site do IPHAN lemos: “A Fortaleza de São João, sobre o Morro Cara de Cão, na entrada da baía da Guanabara, que teve sua origem nos primeiros tempos da cidade e que, já no início dos seiscentos possuía quatro baterias, foi sendo muito alterada com o correr dos anos, até que, nos meados do século XIX, as edificações primitivas foram ou parcialmente demolidas ou totalmente refeitas, com o fim de se adaptarem aos novos armamentos. Da antiga Fortaleza resta apenas o antigo portão de entrada. Com vão de arco abatido, ladeado por pilastras robustas, este portão, construção de alvenaria, é encimado por frontão com volutas barrocas, o qual termina por uma pira.” Foi tombado em 1938 no livro de Belas Artes e Histórico.

Reduto de São Teodósio, foto: Viviane Santos
Reduto de São Teodósio, foto: Viviane Santos

Uma bateria ou bataria, em arquitetura militar, é uma plataforma utilizada para dispor uma ou mais bocas de fogo numa fortificação. Em 1875, foi construída uma nova bateria sobre o Forte São Teodósio, preparada para receber um canhão Armstrong, com o peso de 25 toneladas,carinhosamente chamado de vovô por ser um dos mais antigos do Império. No mesmo ano, foi também instalado no local o canhão mais moderno então em uso no Exército, um canhão Krupp, presenteado pela fábrica Krupp ao Imperador. Este reduto foi construído em 1578, treze anos após a expulsão dos franceses “definitivamente”.

O canhão Amstrong participou da Revolta da Armada, que foi um movimento de rebelião promovido por unidades da Marinha do Brasil contra o governo de Floriano Peixoto, supostamente apoiada pela oposição monarquista à recente instalação da República. Os revoltosos haviam ocupado a Baía com embarcações, o canhão usava balas ocas para afundar os navios, apenas.

Outro evento importante foi o que podemos chamar de último conflito naval na Baía de Guanabara, do outro lado da Baía há a Fortaleza de Santa Cruz da Barra, alinhada com a Fortaleza de São João, faziam a segurança da Baía, que falhou em 1711, pois Douguay-Trouin conseguiu invadir a Baía com mais onze navios e sitiou a cidade do Rio de Janeiro, nessa época a cidade foi saqueada, inclusive a Igreja da Candelária, que perdeu seus registros no caso.

O último tira da Fortaleza de Santa Cruz foi contra o cruzador Tamandaré, pois ele executava a fuga de Carlos Lacerda, após sua situação piorar no Rio de Janeiro devido suas constantes lutas contra Getúlio Vargas.

Forte de São José, foto: Marianna Reis
Forte de São José, foto: Marianna Reis

O Forte São José é o terceiro forte mais antigo do país, foi criado em 1578, mas reformado por Dom Pedro II em 1872, em consequência do que foi a Questão Christie. A Questão Christie foi um incidente diplomático envolvendo o Brasil Império e a Grã-Bretanha. Na década de 1860, no século 19, aconteceram alguns incidentes envolvendo o naufrágio e perda de carga de um navio Inglês no sul do Brasil e também problemas com cidadãos ingleses em território brasileiro. O então embaixador britânico no Brasil, William Christie, fez possuído de falta de bom senso e extrema arrogância diversas exigências consideradas descabidas ao governo brasileiro. Em decorrência da inabilidade do embaixador, as relações diplomáticas entre o Brasil e Reino Unido se tornaram tensas. Como não foi atendido, o episódio acabou com a apreensão de cinco navios mercantes brasileiros pela marinha Britânica, quando então o o gabinete de governo e o Imperador D.Pedro II decidiram romper as relações diplomáticas entre os dois países. Em virtude da ameaça do que era então o maior império do mundo, o governo e gabinete constitucional de D. Pedro II decidiu rearmar as fortalezas da entrada da barra, como era chamada naquele tempo a entrada da Baía de Guanabara. Deste modo as Fortaleza de Santa Cruz e a Fortaleza de São João são totalmente remodeladas e reequipadas.

Casamatas, foto: Marianna Reis
Casamatas, foto: Marianna Reis

Na Fortaleza de São João foi reconstruído o Forte São José, contando com dezessete casamatas em cantaria (pedra talhada), formados paredes em rocha de 1,40 metos de espessura e encimadas por uma plataforma com parapeito, também construídas em granito. A Fortaleza de São João recebeu 15 canhões antecarga Whitworth para as casamatas do Forte São José, e mais 20 canhões alma lisa para a bateria superior (instalada na parte descoberta).

O Reduto São Teodósio, da mesma Fortaleza recebeu um um canhão Armstrong 550 (apelidade de Vovô). Outra 3 baterias foram também equipadas, sendo a bateria D. Pedro que defendia a Praia de Fora, a do Governador que defendia a Praia de Dentro e a da Capela que defendia a várzea.

Na parte superior também foi construído um grande paiol abobadado para guarnecer munição. Este paiol for projetado para ser à prova das armas de então. ³

O Forte se trata de uma construção em pedra talhada, uma primorosa obra da engenharia, que se estende organicamente ao longo de uma protuberância numa extremidade do Morro Cara de Cão. Acima do lado esquerdo, corredor externo das baterias da fortaleza, toda feita em pedra talhada e numerada, como leggos.

Museu Histórico da Fortaleza de São João
Museu Histórico da Fortaleza de São João

No Museu Histórico da Fortaleza de São João estão expostas várias bandeiras do Brasil, desde os tempos coloniais. Algumas armas e também indumentárias estão expostas. O museu é original e apresenta aos visitantes seu conteúdo de forma contemporânea e agradável. Uma exposição com sequência de 16 painéis, mostra de forma progressiva a história do Brasil, desde as condições que propiciaram a descoberta do território pelos portugueses, assim como era o local e o cenário que eles aqui encontraram.

Mostra também como foi a colonização, e fatos relevantes ao longo da história, como a vinda da Família Real, a Independência e o século 20. Quanto à fundação da Cidade do Rio de Janeiro, mostra os fatos importantes e que motivaram a fundação e também a construção da Fortaleza de São João.

Fontes:

1- ALM – Apoio a Cultura

2- Literatura & Rio de Janeiro

3- Rio de Janeiro Aqui

4- O Rio Através dos Séculos

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