Policiais com latas apreendidas. Acervo O Globo, Lúcio Marreiro.

10 histórias engraçadas sobre o Rio de Janeiro

Uma cidade como a nossa, repleta de personalidades marcantes, algumas famosas e outras nem tanto, mas que com certeza, marcaram a nossa história. E com tudo isso, não podiam faltar histórias engraçadas para contar. Confira neste artigo as dez melhores histórias engraçadas sobre o Rio.

 

 

 

 

Tom Jobim e Radamés, acervo Funarte
Tom Jobim e Radamés, acervo Funarte

 

1 – Tom Jobim amarelou

Antonio Carlos Jobim, no inicio de seu caminho para se tornar o maestro soberano, e um pouco antes da Bossa Nova, trabalhava na Continental, fazendo arranjos para outros artistas e aprendendo orquestração com seu grande amigo, Radamés Gnatalli. A Sinfonia do Rio de Janeiro, composta por Tom e Billy Blanco, seria gravada pela Continental num LP, Tom queria que Radamés fizesse o arranjo, porém, o mestre queria ver o pupilo mostrando seu talento, e em um jogo de empurra e empurra, Radamés fez o arranjo, mas Tom teria que reger. Entre os interpretes escolhidos: Emilinha Borba, Dick Farney, Elizabeth Cardoso…Tom dormiu mal na noite antes da gravação, tremendo pela responsabilidade de reger um arranjo de Radamés com orquestra e coro, e Tom conta: amarelei! E, amarelado, para onde que eu poderia ir? Fui para o Bar Amarelinho tomar chope. Radamés que fizesse tudo. 

Só o Tom que pode fazer essas coisas. <3

 

 

Dom Pedro II
Dom Pedro II

 

2 – A Queda do Império

Todos conhecem a famosa história do Último Baile (apesar de ter sido o primeiro e único) celebrado na Ilha Fiscal. Por mais que nos contem que foi extremamente glamoroso, a verdade é que havia mais pessoas do que a ilha poderia sustentar, não havia banheiros e os que não eram nobres, assistiram o baile nas margens da baía, onde era o morro do Castelo. Além disso tudo, ao descer do barco que o levou ao baile, D. Pedro II caiu ao pisar em terra firme, sua majestade se levantou e disse: cai o Imperador, mas não cai o Império; seis dia depois foi proclamada a República.

 

 

Palácio Guanabara
Palácio Guanabara

3- O Processo Mais Longo da História

Em 1865, após comprarem de José Machado Coelho, um palacete em Laranjeiras, a Princesa Isabel e seu esposo reformaram o local e se mudaram. Onde hoje é o Palácio Guanabara, sede do governo do estado, era a residência da princesa e sua família. Isso, até a Proclamação da República, quando através de um decreto, o chamado Paço Isabel, virou patrimônio da União e a Família Real teve que deixar o local, indo passar dois dias em Petrópolis, até serem definitivamente expulsos do país. Detalhe que isso ocorreu um mês após realizarem um banquete em comemoração à bodas de prata da Princesa no local.  Claro que recorreram na justiça para reaver o palácio, mas até hoje, o processo não foi encerrado, e entrou para a história do país como o processo mais longo.

 

Batalha das Canoas, Carlos Oswald
Batalha das Canoas, Carlos Oswald

4- Visitinha de São Sebastião

Segundo o historiador Sérgio Buarque de Hollanda, isso mesmo, o pai do Chico Buarque, uma das raras aparições dos santos em terra brasileira foi quando o Rio ainda era uma vila, chamada Cidade Velha. Localizada nas várzeas do morro Cara de Cão, na Urca, os portugueses que ajudavam a erguer a cidade, viviam aterrorizados pelas ameaças dos franceses e, principalmente, pelos índios tupinambás. Em 13 de julho de 1566, Francisco Velho, que era o responsável pela Igreja De São Sebastião, na vila, saiu pela manhã de canoa. Por detrás da Ilha de Paquetá, surgiram os índios liderados por Guaixará. Sozinho, foi cercado por oitenta à cento e oitenta canoas (o número exato é incerto), e quando a ajuda chegou, não passavam de meia dúzias de canoas para ajudarem o velho. Os tupinambás, em maioria, mostravam aos portugueses que a morte deles era certa, até que um barulho ecoou por todos os cantos e a imagem de São Sebastião surgiu no céu, dando força aos portugueses que conseguiram fazer os índios recuarem. 

Bem, essa é a história contada pelos jesuítas.

Mas a verdade é que um barril de pólvora de uma das canoas explodiu e assustou a mulher de Guaixará, que fugiu, sendo seguida por todos. 

 

Dona Tereza Christina
Dona Tereza Christina

5 – A foto enganosa

Antigamente, era comum que os casamentos fossem feitos a distância, e que o noivo escolhesse a esposa apenas por uma foto, sendo depois o contrato assinado, e então, pudessem se conhecer (caso mostrado em Caramuru). Não foi diferente com o nosso maior líder, Dom Pedro II. Querendo uma esposa da mesma dinastia de sua mãe, recebeu a foto de uma jovem chamada Teresa Christina, que foi tirada em Nápoles. Apaixonado, o casamento foi feito e quando a recebeu, onde hoje é o “redescoberto” Cais do Valongo, que decepção! Foto enganosa. Conta-se que ele virou as costas e não acompanhou o cortejo até o Palácio de São Cristóvão, mas com o tempo, se apaixonou pela esposa.

 

Cristo Redentor, foto Diário do Rio
Cristo Redentor, foto Diário do Rio

6- A Cidade do Futebol

Um padre francês, chamado Marie Bros, em visita ao Rio nos meados do século XIX, disse que  o Corcovado era o local ideal para um monumento em homenagem a Jesus Cristo. Divulgou a ideia, que só veio a entrar nos trilhos em 1922, pelo cardeal D. Sebastião Leme, que iniciou uma campanha para arrecadar o dinheiro. A cidade parou para fazer o plano acontecer. A parte cômica é que no projeto inicial de Heitor da Silva Costa, o Cristo seguraria uma cruz com uma das mãos, e a outra estaria segurando “o mundo”, em forma de um globo. Uma estátua em pequena escala ficou exposta em uma vitrine no Centro do Rio. Por que não foi feita? Carioca que é carioca, é criativo, e não demorou para que chamassem a imagem de Cristo da Bola, e logo associassem ao futebol. Devido a repercussão, um novo projeto foi feito, que está até hoje na lista das Sete Maravilhas do Mundo Moderno. 

 

Policiais com latas apreendidas. Acervo O Globo, Lúcio Marreiro.
Policiais com latas apreendidas. Acervo O Globo, Lúcio Marreiro.

7 – O Veneno da Lata

O famoso Brownie do Luís não colocou esse nome em seu produto a toa. No fim de 1987, milhares de latas de maconha chegaram boiando nas praias do Rio. O navio Solana Star ia da Austrália para Miami com vinte e duas toneladas da erva e quando denunciado, estava passando exatamente pela nossa cidade. Para escaparem do flagrante, despejaram quase toda a carga no mar. Aproximadamente no dia 20 de setembro, a mercadoria começou a ser encontrada, foi uma caça ao tesouro ainda maior do que as notas de cem boiando na Urca. A população tomou conta de praticamente tudo, mesmo sendo pós-ditadura. Apenas duas mil latas foram apreendidas. E até hoje, quem provou, disse que era da boa. 

 

Crédito: Uol
Crédito: Uol

8- Clube Com Nome de Boate

O famoso clube carioca, Botafogo, quase teve um nome bem diferente do atual. A ideia da garotada de quatorze e quinze anos, em 1904, num casarão no largo dos Leões, era de nomear o novo time de Electro Club. Chefiados por Flávio Ramos e Otavio Werneck, a segunda reunião foi feita na casa da avó de Flávio, que ouviu o nome que eles tiraram do talão de um extinto clube. D. Chiquitota, ouviu o nome e salvou o futuro do clube, argumentando: ora, morando onde vocês moram, o clube só pode se chamar Botafogo! 

 

Confeitaria Colombo, Pegcar
Confeitaria Colombo, Pegcar

9 – Uma Queda Pelo Poeta

Na época de Pereira Passos, um enorme buraco apareceu na Gonçalves Dias, em frente a Confeitaria Colombo. Local extremamente visitado por intelectuais e políticos, era o local em que as moças também iam admirar os poetas pelos vitrais da Confeitaria. Há uma estória que diz que uma vez, uma moça distraida caiu no buraco, enquanto admirava Olavo Bilac que estava dentro da Confeitaria. Cansado da frequência do ocorrido, Bastos Tigre comprou uma uma palmeira de médio porte e plantou no buraco, o cobrindo.

 

 

Casa de Banho Dom João VI, wikimedia
Casa de Banho Dom João VI, wikimedia

10 – A Falta de Um Banho

Sempre foi notório que séculos atrás, o hábito de tomar banho todos os dias era um futuro muito distante e até inimaginável. E isso era uma realidade até mesmo na Corte. Dom João VI, ao pegar uma infecção por conta de um carrapato que mordeu sua perna, após várias tentativas do médico, teve que tomar um banho de mar! Isso mesmo! Acontece que ficou popularizado que o monarca só tomou um banho enquanto esteve no Brasil. Conta-se que ele ficou dentro de um barril, amarrado por uma corda e segurado por um escravo, apenas com a perna para o lado de fora, dentro da água da Baía de Guanabara, que naquela época, não era poluída. O fato aconteceu na Praia do Caju, onde posteriormente se criou a Casa de Banho, que está lá até hoje. Vale lembrar que o rei só topou a ideia do seu médico, pois corria o risco de perder a perna. 

 

 

Essas dez histórias tiram boas gargalhadas de qualquer um. Afinal, história é divertido.  

Qual dessas você mais gostou? Tem alguma para contar? Comente abaixo.

 

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2 comentários sobre “10 histórias engraçadas sobre o Rio de Janeiro

    1. Luiz, muito obrigada!
      Havia escrito o texto em outra ferramenta, e ao passar para o blog, ele não reconheceu certas palavras e alterou a grafia.
      Seu aviso me fez ficar atenta a esse problema que eu não havia notado.
      E fico feliz que tenha gostado das histórias.
      Abraços.

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