Juliana Fiúza/ dezembro 2, 2019/ Blog/ 0 comments

Conheça a origem do Dia Nacional do Samba, comemorado no dia 2 de dezembro, desde 1962.

Origens

O samba urbano nasceu nos morros e subúrbios do Rio de Janeiro no começo do século XX. Esse ritmo sincopado e sensual, que nas décadas seguintes se transformaria num dos maiores sinônimos da brasilidade, surgiu da mistura das batidas dos cultos afro-brasileiros com a polca, a habanera e outras danças importadas.

Tia Ciata

Tia Ciata

Hilária Batista de Almeida nasceu na Bahia em 1854. Aos 22 anos, mudou-se para o Rio de Janeiro, no êxodo que ficou conhecido como diáspora baiana. No Rio, formou nova família ao se casar com João Baptista da Silva, funcionário público com quem teve 14 filhos.

Como todas as baianas da época, era grande quituteira. Começou a trabalhar colocando o seu tabuleiro na Rua Sete de Setembro, sempre vestida de baiana. Com tino comercial, também alugava roupas típicas para o teatro e para o carnaval.

Mãe-de-santo respeitada, Hilária foi confirmada no santo como Ciata de Oxum, no terreiro de João Alabá, na Rua Barão de São Felix, onde também ficava a casa de Dom Obá II e o famoso cortiço Cabeça de Porco. Em sua casa, as festas eram famosas. Sempre celebrava seus orixás, sendo as festas de Cosme e Damião e de Nossa Senhora da Conceição as mais prestigiadas. Mas também promovia festas profanas, nas quais se destacavam as rodas de partido-alto. Era nessas rodas que se dançava o miudinho, uma forma de sambar de pés juntos, na qual Ciata era mestra.

Tia Ciata teria ganhado proteção após curar o presidente Venceslau Brás, sua casa então passou as ser um local protegido para se realizar rodas de samba. Dos seus freqüentadores habituais, que incluíam Pixinguinha, Donga, Heitor dos Prazeres, João da Baiana, Sinhô e Mauro de Almeida, nasceu o samba. A música Pelo telefone foi o primeiro samba registrado, no final de 1916, e virou sucesso no carnaval de 1917.

O Carnaval

Noel Rosa
Noel Rosa

Em 1935, o então prefeito do Rio, Pedro Ernesto, legalizou as escolas de samba e oficializou os desfiles de rua. Antes disso, sem horário nem percurso fixo, o indispensável era que os grupos passassem pela Praça Onze, pelas casas das “tias” baianas. Elas eram consideradas mães do samba e do carnaval dos pobres. A casa de Tia Ciata era parada obrigatória, pois era a mais famosa e muito respeitada pela comunidade. Até hoje, as tias são representadas e homenageadas nos desfiles, pela ala das baianas das escolas de samba.

Agremiação carnavalesca do bairro do Estácio de Sá, no Rio de Janeiro, considerada como a primeira Escola de Samba e fundada pelos sambistas Ismael Silva (1905-1978), Alcebíades Barcelos (Bíde 1902-1975), seu irmão Mano Rubem (Rubem Barcelos 1904-1927) e Armando Marçal. Há controvérsias com relação à data de fundação da Escola. Há quem defenda que a fundação ocorreu em 1917, quando da fundação do Rancho Carnavalesco Deixa Falar. Contudo, a data mais conhecida é 12 de agosto de 1928.

Quem ajudou a divulgar ainda mais o samba foi Noel Rosa, famoso poeta de Vila Isabel, foi responsável por diversas músicas que viraram temas do Carnaval durante anos.

O Dia Nacional do Samba

Edison Carneiro
Edison Carneiro.
Acervo particular de Philon Carneiro.

Neste dia foi encerrado o I Congresso Nacional do Samba, realizado no Rio de Janeiro, e divulgada a Carta do Samba, com reflexões propostas pelo etnólogo Edison Carneiro, sobre o gênero musical. A carta demonstrava a preocupação com alterações que o samba vinha sofrendo. Na visão dos participantes do evento, essas alterações poderiam descaracterizar completamente o samba como gênero musical configurado pela síncopa, um deslocamento da acentuação rítmica típico da música centro-africana. Por causa disso a data da divulgação da carta passou a ser oficialmente considerada como Dia Nacional do Samba.

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About Juliana Fiúza

Juliana Fiúza é guia de turismo e empresária em sua agência, Papo de Guia. Mora no Rio de Janeiro, é estudante de letras, apaixonada por música, literatura, cultura pop e papelaria.

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